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10/11/2015

Não é necessário banir o bacon

A Agência Internacional pela Pesquisa em Câncer (IARC), órgão da Organização Mundial da Saúde, publicou em outubro de 2015 dados que estabelecem a relação causal entre o consumo carnes vermelhas processadas, em especial o bacon e a linguiça como carcinogênicas, com uma alta capacidade de provocar tumores. Os alimentos estar no grupo 1, por conta de sua possível relação com o desenvolvimento de câncer colorretal; mesma categoria em que figuram o cigarro, amianto, álcool e até a exposição solar. A conclusão do relatório é que a cada 50g de carne processada ingerida, o risco de câncer colorretal aumenta em 18%.

O mesmo relatório incluiu no grupo 2A, alimentos classificados como potencialmente carcinogênicos, as carnes vermelhas, correlacionando-as com sua incidência com câncer de próstata e câncer de pâncreas.

Evidentemente, tal informação chocou o consumidor, que decidiu evitar os referidos alimentos e até bani-los. Talvez o choque se deu na comparação com o cigarro, mas, de fato, comer bacon e outros alimentos processados todos os dias não é um hábito impresso em nossa cultura. O Brasil ainda está muito distante do nível de consumo apregoado como “provável” causador de uma doença. Em termos populacionais ainda temos um percentual razoável de pessoas que não tem acesso ao nível recomendado de proteína pela própria OMS.

Ademais, há de se pensar num certo terrorismo nutricional. Por exemplo, quanto à composição, o bacon artesanal contém 50% de gordura monoinsaturada, composta principalmente por ácido oleico, que é o mesmo do azeite. 3% é palmitoléico que é descrito na literatura por seus elementos antimicrobianos. Contudo, cerca de 45% da composição do bacon é de gordura saturada. É interessante ter um uma ingestão controlada de gordura saturada, vez que esses tipos de gordura auxilia na formação de hormônios bem como na manutenção das membranas celulares. O problema é o excesso. Tão logo, importante defender a procedência: há sim possibilidade de consumir bacon e presunto artesanal, livre de aditivos químicos. Claro, importante procurar um profissional para analisar sua aceitação aos diferentes grupos alimentares, atrelar esses dados aos seus hábitos de vida, levar uma vida desintoxicada certamente é um dos melhores hábitos preventivos relacionados ao câncer.

Todos os dias temos a oportunidade de escolher uma alimentação livre de conservantes, corantes, embutidos, defumados, se você faz isso, já adota hábito preventivos naturalmente. Lembre-se sempre, quanto mais natural, melhor.

Thaliane Dias é professora do curso de Nutrição da Faculdade Anhanguera de Brasília – Pistão Sul

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