NOTÍCIAS

23/07/2015

A carne que o mundo quer, o Brasil tem!

A abertura e reabertura de mercados externos para a carne bovina brasileira abrem um leque de possibilidades para a produção dos pecuaristas brasileiros. Um dos grandes mercados alcançados pelo Brasil são os Estados Unidos: os americanos são grandes exportadores de cortes nobres, mas o alto consumo interno de hambúrguer faz com que a produção local não seja suficiente para atender a demanda da população, sendo necessária a importação de cortes dianteiros.

De acordo com relatório de projeções da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), estima-se que sejam enviadas mais de 20 mil toneladas de carne aos Estados Unidos até o final do ano. “De início, os americanos devem comprar cortes dianteiros magros. A carne importada deve ser processada junto com a produzida no próprio país para que eles consigam atingir o nível de gordura desejado para a fabricação de hambúrgueres”, explica o diretor -executivo da associação, Fernando Sampaio.

A partir da abertura do mercado americano, outros importantes destinos devem se viabilizar. “Os EUA são referência para todo o mundo por ter rigorosos sistemas de restrições, e a conquista desse mercado garante um 'selo de aprovação' ao produto brasileiro”, destaca José Vicente Ferraz, da Informa Economics FNP.

Um dos países que já está no radar do Brasil é o Japão, que embargou a carne brasileira no fim de 2012, em função de um caso atípico de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) em um animal morto em 2010 em Sertanópolis, PR. Uma missão deve será enviada para o Brasil em agosto para estudar a suspensão do embargo. “É um processo longo, que ainda deve demorar bastante, mas que trará ótimos frutos. Junto com o Japão deve vir a Coreia do Sul, que é outro importante mercado. A parceria será muito lucrativa pois ambos têm demanda por carnes com muita cobertura de gordura e são conhecidos por serem ótimos pagadores”, avalia Alex Lopes da Silva, consultor da Scot Consultoria.

Os japoneses foram grandes compradores de carne industrializada brasileira e após o rompimento da restrição espera-se que os asiáticos passem a importar carne in natura. “O mercado asiático valoriza muito a cobertura de gordura sobre a carne, o que não representa nenhuma dificuldade para os produtores brasileiros. Na última década o Brasil diversificou o seu sistema de produção e, hoje, conseguimos produzir para todos os tipos de mercado. Basta a demanda surgir que a produção se adaptará rapidamente”, acrescenta Alex.

Novos mercados à vista - Além de Japão e Coreia do Sul outros mercados em potencial são Canadá e México. “Sem dúvida a proximidade com os Estados Unidos abriria as portas para toda a América do Norte. São mercados amplos na compra de cortes e que devem garantir maior estabilidade às exportações”, pontua Ferraz.

A possível abertura desses mercados traz a necessidade de ampliação do sistema de produção brasileiro. Mas, de acordo com Alex Lopes, isso não deve acontecer a curto prazo, já que dois dos principais parceiros comerciais do Brasil, Rússia e Venezuela, reduziram suas importações em cerca de 50% cada um no primeiro semestre desse ano. “Temos total condição de atender as atuais demandas dos mercados externos sem maiores esforços. A princípio, os novos parceiros devem ocupar a lacuna deixada por antigos compradores”.

José Vicente Ferraz relembra que para atender essas demandas será necessário ficar atento à produtividade. “Com abertura ou não é preciso aumentar a produtividade da pecuária brasileira. Ou seja, é necessário produzir mais com menos. A partir disso toda a cadeia conseguirá sua margem de lucro e o produto chegará a um preço razoável ao consumidor final”.

Outros mercados - Outro importante parceiro comercial, a China abriu recentemente as portas para a carne brasileira e importou três mil toneladas no início de junho. O país asiático absorve quase todos os cortes, principalmente miúdos.

Assim como o Japão, a Arábia Saudita impôs embargo à carne brasileira desde o fim de 2012. Representantes do país estiveram no Brasil em junho e a suspensão da restrição pode estar próxima. Os árabes são importadores de cortes dianteiros, com certa participação de traseiros, como filé mignon e contra filé, para atender restaurantes e hotéis. Os animais enviados para os arábes passam por um abate diferenciado, conhecido como halal, em que são oferecidos a Alá antes de serem mortos por degola. O procedimento é realizado por um supervisor islâmico e o animal deve estar posicionado na direção da cidade de Meca, na Arábia Saudita.

Fonte: Portal DBO

PUBLICIDADE