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14/07/2015

Nova York mistura café e beleza

Por: RACHEL FELDER do THE NEW YORK TIMES

Nova York, EUA. A cada duas semanas, Andrew Livingston, 22, um dos donos de uma empresa de moda masculina no Brooklyn, em Nova York, para em seu caminho para casa depois do trabalho para uma bebida uma cerveja ou café expresso em um cenário onde ele normalmente encontra sujeitos do seu estilo.

Seu destino: o Blind Barber, em Williamsburg, onde o corte de cabelo de US$ 45 é oferecido juntamente com dez tipos de cerveja, incluindo quatro variedades de chope, e o cappuccino feito com café Blue Bottle e preparado em uma cafeteria arejada ao lado da barbearia. Junto com sua bebida, o cabelo de Livingston é cortado enquanto ele se senta em uma das quatro cadeiras antigas do barbeiro.

“É um belo lugar para recarregar as baterias. Para nós, especialmente em uma cidade como Nova York, é importante ter um ambiente assim, onde dá para desestressar, relaxar e conversar”, ele disse.

Um dos donos do Blind Barber, Jeff Laub, disse: “O lance não é só vender um café por US$ 3. O café gera a conversa, desenvolve uma amizade e pode até levar a alguma outra coisa”.

A barbearia-café é uma tendência que vem crescendo. Para Alon Gratch, psicólogo clínico que escreveu “If Men Could Talk: Translating the Secret Language of Men” (Se os Homens Falassem: Traduzindo a Linguagem Secreta Masculina), um lugar como esse “parece novo, porque oferece espaço para conversa”.

“(A barbearia) tenta diminuir as distâncias, mais ou menos como as mulheres fazem, mas de uma forma mais original, do modo dos ‘caras’. Os outros lugares tradicionais para as pessoas se encontrarem são os bares, que são muito barulhentos e, por isso, não dá muito para conversar, ou eventos esportivos, que têm o mesmo problema”, disse ele.

Como os proprietários lidam com uma clientela antenada, os preços são bem mais altos que os das barbearias tradicionais, e a decoração lembra mais um restaurante ou uma butique masculina do que um salão de beleza (exceto pela exibição em destaque de tesouras, pentes e frascos de tinturas).

Embora cabelo e comida não pareçam ter muito em comum para alguns, um capuccino feito com grãos torrados no local e cultivados eticamente é um acompanhamento natural para cortes de cabelo refinados.

Modelo de negócios. Mesmo em bairros saturados de cafeterias e salões de beleza, novas combinações de negócios desse tipo continuam a aparecer logo que obtêm as licenças necessárias para vender álcool ou café. Em março, a Cotter Barber abriu no Brooklyn, completa, com uma máquina de café expresso manual La Marzocco empoleirada em um balcão de madeira de demolição na frente e quatro cadeiras de barbeiro vintage nos fundos.

No Fellow Barber de Williamsburg, o serviço de café foi introduzido em fevereiro. As duas barbearias-café obtêm seu café de torrefadores artesanais (o Four Barrel Coffee, de San Francisco, e o Tandem Coffee, de Portland, no Maine).

A combinação de barbearias e bebidas vai bem além do Brooklyn. Em Toronto, por exemplo, há um bar na Rod, Gun & Barbers, onde o charuto também é incentivado. Em San Francisco, a Peoples Barber & Shop serve cerveja gelada, assim como a Duke Barber Co. na Filadélfia. A Modern Man, uma cadeia de cinco salões em Portland, em Oregon, oferece cerveja e uísque de fornecedores locais. A Fellow Barber planeja adicionar um bar à sua unidade de Detroit.

Jon Wilde, editor da revista “GQ” que vive no Brooklyn, disse que a barbearia-café estava “fazendo esse corte de cabelo parecer uma experiência, e não uma obrigação. “Sim, o corte de cabelo pode ser um pouco mais caro, mas dá para tomar uma cerveja se quiser, e eles cuidam bem de você”, ele disse.

 

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