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01/06/2015

Aroma dos vinhos

Converso muito com várias pessoas que estão iniciando no mundo do vinho e elas sempre afirmam que acham muito complicado identificar aromas durante a degustação. Mas é bom esclarecer alguns pontos.

 Primeiro é que as pessoas podem ter percepções diferentes quando estão degustando, porque a identificação está muito ligada à memória olfativa que cada um tem. Quem nunca cheirou aspargos ou ameixa terá dificuldade de identificar esses aromas na sauvignon blanc ou na malbec.

Também pode atrapalhar a influência que outras pessoas podem exercer sobre nós. Imagine que você está degustando um vinho e aquela sensação aromática lhe é familiar, mas você não está conseguindo descrevê-la. Daí, alguém fala: “abacaxi em calda”. Pronto, você passará a sentir a mesma coisa. Isso é natural e compreensível.

Além disso, os aromas podem variar muito de acordo com a idade do vinho, se passou ou não por madeira, da temperatura em que foi servido, as taças que estão sendo usadas e por aí vai.

Um chardonnay tem aroma de frutos brancos, mas a passagem por madeira pode dar a lembrança aromática de baunilha, manteiga. Um tinto passa a ter aromas de café e algo tostado.

Um exercício muito bom que podemos fazer é treinar nosso nariz para a percepção de aromas. Quando for a um supermercado ou à feira, procure as frutas e vegetais que normalmente os degustadores descrevem ao analisarem vinhos. Procure por aspargos, maçã verde, limão, lima, abacaxi, pimentão, lichia, amora, ameixa etc. Os profissionais do vinho fazem muito isso.

Enfim, algumas uvas mais comuns em nosso mercado possuem um padrão aromático que você pode tentar encontrar nesses exercícios:

Chardonnay: abacaxi, pêra e pêssego;

Sauvignon Blanc: abacaxi, aspargos, grama cortada, limão e melão;

Riesling: pêra, pêssego, damasco, limão, lichia e maçã verde;
 Cabernet sauvignon: ameixa, pimentão, eucalipto e cassis;

Merlot: ameixa, cassis, chocolate e especiarias;

Malbec: ameixa, geleia de amora e violetas;

Pinot Noir: cereja, framboesa, morango e canela;

Carmenère: ameixas pretas, goiaba, terra e especiarias.

Uma última dica: não fique incomodado se você não perceber todos esses aromas ao beber um vinho. Nem fique preocupado se não consegue descrever o que sente às pessoas que estão bebendo com você. Falar sobre essas sensações à mesa pode causar algum desconforto, podem achar você um pouco chato. Guarde-as em sua memória e só fale delas se alguém se interessar pelo assunto.

Tim-tim!

Por Érika Mesquita

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