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18/03/2015

Os efeitos da inflaçao no setor de panificação

Em 2014, as empresas de panificação cresceram 8,02%, atingindo o faturamento de R$ 82,5 bilhões. Foi a menor taxa de expansão dos setor nos últimos oito anos e o terceiro ano consecutivo de redução na rentabilidade. As informações são de levantamento do Instituto Tecnológico de Panificação e Confeitaria (ITPC), em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip).

A redução no ritmo de crescimento do setor vem ocorrendo desde 2010. Durante o período, os custos das empresas aumentaram 48,5%. Somente no ano passado, os preços dos produtos adquiridos pelas panificadoras no atacado tiveram um reajuste médio de 8,71%. A alta do salário médio nas padarias foi de 18,2%, o custo com embalagens aumentou em 13,3% e a energia elétrica 14,8%.

“A redução do crescimento é reflexo principalmente da diminuição do fluxo de clientes nas padarias. Estamos registrando um aumento de preços no mercado. Os custos estão subindo muito e a panificação está pressionada. A inflação nunca esteve tão presente. Quando subimos o preço para acompanhar o aumento dos custos não conseguimos ter o mesmo volume de vendas. Não estamos conseguindo repassar o preço permitindo o consumidor manter o consumo”, alerta o presidente do Instituto Tecnológico de Panificação e Confeitaria (ITPC), Márcio Rodrigues.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o acumulado de doze meses do ano de 2014 em 6,41%. O reajuste de preço praticado nas empresas de alimentação no ano ficou entre 9% e 13%, com média de 11,5% para as padarias. Como consequência, o fluxo de clientes das empresas caiu 3,4% no último ano. A taxa vem diminuindo desde 2010, atingindo declínio acumulado de 4,4% desde 2013.

Apesar desta redução no desenvolvimento, o tíquete médio nas empresas aumentou em 39,4% entre 2010 e 2013. No último ano, o valor médio das vendas cresceu 11,9%, o maior o crescimento dos últimos oito anos. Rodrigues acredita que o setor esteja se aprimorando e se tornando mais competitivo. “Trazer o cliente para loja tem sido um grande desafio. É uma conjuntura de fatores. As pessoas hoje têm cada vez mais opções e muitas vezes o consumidor faz opções de acordo com sua comodidade e facilidade, combinando com uma opção de preço mais competitivo.

A principal iniciativa das padarias para voltar a crescer tem sido ampliação de novos produtos e serviços. “O mercado de panificação está vivendo uma retração no número de clientes, mas se encontra em crescimento. As empresas estão buscando possibilidades para aumentar seu faturamento e competir com outros tipos de empresas. Essa ampliação dos serviços tem tornado o negócio mais lucrativo e competitivo”, explica o presidente do ITPC.

Para os próximos anos, conforme apresentado por Márcio Rodrigues, as padarias brasileiras deverão seguir o caminho outros países visando sua ampliação. “No exterior, o preço dos produtos estão subindo também. Para se tornarem mais competitivos, eles estão agregando um diferencial de saúde, qualidade, economia contra desperdícios, redução de ingredientes nocivos e muito mais. Quando se tem esse diferencial nos produtos, você consegue justificar para o consumidor a diferença de preço. Nós precisamos lançar produtos que agreguem essa percepção diferenciada”, afirma. Pelo último Instante.

 

 

 

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